quinta-feira, 4 de março de 2010

No calor das minhas lembranças


Lembro que sempre que íamos sair de férias era um drama na escola, choro e juras de eternas amizades, a gente se abraçava como se o mundo se resumisse naquele instante e sentíamos a necessidade de confessar nosso amor uma pela a outra. Podia até ser que fossem as férias de meio de ano, a gente sempre repetia a cena, mesmo se tivéssemos certeza que íamos nos encontrar daqui a duas semanas no aniversário de alguém. No fim de ano então, parecia clímax de novela das oito ou fim de namoro da mocinha da novela das cinco, quem via de longe até podia prever uma tragédia. Mas no fundo, aquilo tudo era uma saudade antecipada pelo desespero que sentíamos, de no auge de nossas duvidas, no inicio da nossa adolescência e da formação de quem éramos, de não ter a certeza que encontraríamos alguém com os mesmos problemas no dia seguinte.
O tempo foi passando e nossas duvidas cessando e sendo substituídas por novas, mais atordoantes do que as de antes, que simplesmente questionavam se fulano gostava da gente, se era normal sentir isso na barriga antes de menstruar, que baseava também em vinganças planejadas contra aquela garota que nunca te olhou nos olhos direito, nas reclamações daquele professor louco que te escutou conversar quando na verdade você estava quieta copiando a matéria do quadro, sem reclamar dos trinta exercícios, que você – coitada- nem imaginava que daqui a alguns anos triplicariam e que duplicaria o tamanho das respostas e diminuiria o tempo para fazê-los.
Hoje eu olho pra trás e me lembro das lágrimas nas tardes intermináveis do colégio, escuto como se fosse ontem as juras de pessoas que nem sei onde estão agora, que diziam que nós nunca nos separaríamos, ingênua fui eu de acreditar em juras, hoje sei que juras são sempre feitas de dedos imaginários cruzados no ar, perdidos entre palavras. Algumas das pessoas que não me juraram nada, hoje permanecem ao meu lado e estão sempre ao meu alcance, se não pessoalmente para um abraço, em memória pelos conselhos, em amuletos pela fé que tenho na proteção que me dão, em telefonemas e conversas sem sentido nos bates papos da internet, alguns dos que juraram, foram a exceção da regra e mantiveram os dedos sem cruzar, com estes eu errei e eles erraram comigo, mas houve algo maior... não sou boba em dizer que foi amor, o amor engana as vezes, e amizades são maiores do que eles.
Com tanto tempo que passou hoje já não acredito em vingancinhas, acredito em fazer melhor do que a pessoa pode pensar e chegar lá antes, nem que para isso seja preciso alterar com minhas mãos o percurso das coisas e não é que eu seja mal, tá, quem sabe eu seja, mas quem nunca fui talvez nunca tenha ganhado. Hoje já não penso se ele gosta de mim, se gosto dele procuro fazer que ele também goste e se ele não gosta mesmo assim, então eu faço o impossível e o esqueço, a gente só não esquece o que aprendeu, e eu nunca aprendi a sofrer calada com aquilo que eu podia alterar. Professores não me incomodam mais, eu não dependendo de puxa-saquismos ou que eles gostem de mim para conseguir algo, se não consigo resolver os meus problemas nessas áreas é sinal que não me dediquei o bastante.
E não deixei de ser mais uma adolescente estranha entre tantos que você conhece ou parecido com aquele que você é, eu apenas aprendi a aprender, e eu já te disse que a gente não esquece o que aprende né? As minhas lições eu não devolvo.
Hoje eu lembro com saudades do choro nos últimos dias na escola, havia mais sinceridade, viver sem malícias podia não ter tanta graça, mas me ensinou mais do que me ensinam os livros de hoje em dia. Daqui a mais quatro anos, eu olho para quem eu sou hoje e percebo de novo, que muita coisa mudou e outras ficaram iguais.

Beijos: Marcella Leal

PS- Descubra como matar alguém usando amaciante no meu outro blog, O Movimento é Tenso, não esquece de comentar que eu e os outros autores não reclamamos não...
Essa foto que ilustra o post, deve ser da sexta série.

5 comentários:

Anônimo disse...

O pior é que tudo isso é verdade: apesar das juras e promessas de amizade eterna, quem mostra a verdade é tempo.
Fico triste com isso.
E quase chorei nessa parte: "...o amor engana as vezes, e amizades são maiores do que eles."
De fato, amizades verdadeiras vão além do amor...
AMEI!

Beijos!

Luan Fernando disse...

Fiz uma grande restropectiva, ainda tenho algumas cartaz de juras de amizade, lembro da coisas que mudaram e agora todos aqueles que estavam comigo já não estão mais é até engraçado com as coisas mudam, mas as verdadeiras amizades ainda permanecem no meu coração.
Beijos
Juliane

Ariel Augusto, disse...

Tempos que não voltam , mais que ficam marcados na nossa vida :)

Henrique Miné disse...

e depois quando eu digo que tudo é passageiro nos chamam de pessimista..

mas, porra, até a vida é passageira!

beeeeeeeijos.

MILENA R. disse...

nossa que lindo, quase chorei *-*'
na verdade tudo é passageiro, mas as lições que aprendemos vão ficar pra sempre com a gente!
muito lindo mesmo .-.