Ontem fui para a cidade do interior que meu avô morava antes de falecer e que hoje meu tio mora e meu pai tem uns lotes, então quando vou pra lá eu não estranho o fato de pessoas que eu nunca vi na vida me conhecerem, porque é uma cidade de interior e meu tio mora lá, os mais velhos me conhecem da época que eu ia passar o fim de semana na casa do meu avô e muita gente comprou casa do meu pai, ou conhece quem comprou, enfim...Ontem não era qualquer dia, estavam inaugurando uma praça com o nome do meu avô, e em memória dele, fui sem reclamar, porque vocês nem devem saber, mas eu não sou fã de cidade de interior e muito menos de sair quando to estressada, preocupada, desanimada, triste e bem ontem eu estava, e ainda por cima, estava anti-sociável, com vontade de não ver ninguém na minha frente, mas fui.
No caminho eu não pude evitar pensar em como que seriam as coisas se ele ainda tivesse aqui, fico pensando se alguma coisa na minha vida ia ser diferente, ou na minha família. Meu avô morreu e eu tinha sete anos, o que conheci dele foi um homem incrível, que respondia o que você perguntasse e que era muito, muito, muito coruja. E enquanto pensava que trazer pessoas de volta não era possível, eu percebi que eu não tratava todo mundo que ainda estava aqui, como deveria. Minha parcela de culpa e saudade aumentou, mas evitei o choro – minha boa e velha escapatória- e mantive um sorriso falso afim de impressionar o povo que eu não conhecia.
Chegando ao interior, encontrei meia dúzia de pessoas com calça jeans, casaco de couro, sapato de bico fino, cinto de fivela e chapéu de palha e me senti em um filme do faroeste, e entre aquele povo estava o meu tio que morava na cidade com minha tia e meu primo, minha bisavó,três irmãos do meu avô que eu adoro,e uns primos do meu pai que são super legais...fiquei um pouco mais animada.
Começou a inauguração. O primeiro a falar foi o vice prefeito, que não sabia falar. Para ele todos os verbos se conjugavam da mesma forma, independentemente do sujeito. Então o discurso ficou tipo assim:
- A gente tamo aqui hoje, muito filiz por estarmos inaugurando essa praça com o nome de um homem que eu tive muito prazer em conhecer, e que nois tamos homenageando aqui diante dos familiar dele que tão aqui, os fio dele, as nora, os neto e é um prazer muito grande pra todo nois. Agradecido.-
EU NÃO TÔ BRINCANDO, ELE FALOU ASSIM MESMO!
Ai depois um amigo do meu avô e minha bisavó falaram, e essa parte foi bonita e eu não dei gargalhada de tanto rir.
Depois teve uma palestra com uma mulher que é esposa do tesoureiro e que ficou jogando indireta pro meu tio que é presidente do conselho, e eu estava cada vez mais em um filme do faroeste e minha tia do meu lado xingando a mulher de falsa, piriguete e louca que deixa os filhos largados o dia todo e para piorar (ou melhorar, porque eu também estava mal ontem) a mulher contou uma história muito ridícula sobre um moleque que queria todas as casas do mundo pintadas de azul claro e que ele percebeu que a casa dele não era dessa cor, então você tem que mudar a si mesmo antes de mudar os outros...e essa infeliz falava tão lentamente, e o primo do meu pai ria tanto dela, mas tanto que ele teve que esconder o rosto e eu ria também, porque eu estava me sentindo em um filme de faroeste, sentada em um bar com uma falsa, piriguete, que deixa os filhos largados e pagou pra ter diploma de piscologa com o dinheiro do marido rico, possivelmente chapada, caindo de bêbada falando de casinhas azuis! A minha vontade de fugir ou do meu celular sem sinal tocar naquela hora era grande, muito grande.
Quando acabou a palestra que estava me irritando, serviram salgadinhos e um grupo de menina juntou em uma rodinha e começou a conversar e olhar pra mim, desconfortável achei um primo meu e não sai de perto, até irmos todos pra casa do meu tio.
Na casa do meu tio ouvi minha família falar mal do povo da cidade, escutei palavrões de bocas que nunca pensei escutar e piadas sujas da minha bisavó, depois comemos pizza e o primo do meu pai me deu dicas importantes sobre como escolher o pedaço que se come com a mão.
A noite fria, o céu escuro e estrelado e as meninas na praça ainda em uma rodinha e eu, ali, de certa forma no meu lugar, mas ainda perdida, mesmo assim confortada e com minha cabeça em outro lugar, lugar que não era meu mais e que agora, confesso, não poderei alcançar. Que seja como um filme de faroeste, e que tenha um final feliz.
Beijos,
Marcella Leal
PS- Sei que esse texto ta horrível e você nem deve ter lido tudo, mas precisava escrever isso e volto em breve quando meu bloqueio criativo acabar.

11 comentários:
Faroeste é legal :)
tem dias que eu quero msm é sumir do mundo, parar de existir. Na verdade, a maioria dos meus dias são assim =D
Cidade de interior é foda! :x
Esses dias descobri que tem uma rua aqui com o nome de um tio meu, mas nem sei onde fica. Minha vó que disse, mas ela também não sabe direito! :x
HASIDHASIDHUASDIA
Fique tranquila que terá sim,um final feliz! x)
Beijo
será que só eu gosto de cidades pequenas onde as pessoas falam errado?
Aliás, errado não, diferente, né.
Sinto que eu teria adoraado essa sua viagem e td o mais, as vezes um lugar diferente assim é bom pra colocar a cabeça no lugar.
Não que eu esteja precisando, falei por causa do seu caso mesmo e tal
Enfiim, beeeijos, Marcella.
kkk. Pessoas do interior falando, é engraçado. Velho, que legal, seu avô vai ter uma praça com o nome dele. Deve eer sido emocionante o dia pensando nele e talz.
bjs
aee vc apareceu rs..
tbm não gosto de cidade do interior ainda mais quando o cel fica sem sinal e chato..mesmo..
bjinhos
Tenho parentes em cidades menores e é mais ou menos assim que eles são, é legal a gnt se sente dentro de filmes mesmo aospaks
Beijos
Ser uma "desconhecida" em cidade de interior é complicado... Ser conhecida pelos mais velhos e desconhecida pelos mais novos, então, é um inferno. G-G' E, de fato, parece muito um filme de faroeste. ohaoihioa'
Tbm nao gosto de cidades-ovo do interior. Sempre que ia visitar minha vó, me sentia assim como vc. Todos chegavam e falavam: Nossa, como ele cresceu, como ta lindo aquele bebe. ¬¬
Que infortunio.
Mas enfim, minha vó se foi esse ano e acho q nao vou mais naquele lugar tao cedo.
Ah, eu li o texto todo.
já estava com saudades de passar por aqui para ler os seus textos , sem tempo!
adoro seu blog , perfect !
beijoos
Bloqueio criativo? Nossa.
Assim, o texto não passa muita coisa, parece que vc rasgou uma pág do diario e publicou, mas eu gostei.
Tipo, kkkkkkkkkk, foi ridículo, o vice-prefeito falou assim? Imagina o prefeito, então?
putz.
...
bjooo. Juh
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