
Haviam caixas grandes de papelão com papeis amarelados cobertos de poeira e mofo, a menina espirrava, a senhora remexia as folhas já quebradiças por ação do tempo e a bisneta tossia e avermelhava os braços.
- Mas, pra que é que quer isso menina?- ela perguntou já sem se lembrar o porquê.
- É trabalho da escola.- responde a menina, a voz é baixo, a senhora tem pouca audição e lá fora a forte chuva que bate nas telhas da casa e no vidro da janela enchem o ambiente com o barulho alto e a mais velha não escuta.
- O que é que você disse?-
- Que é para um trabalho de escola.-
- HEEEEIM?-
- UM TRABALHO DA ESCOLA!-
- Ah sim, agora entendi, você também, parece seu bisavô, fala para dentro. Mas, vem, me ajuda, pega essa sacola e vê se está aqui dentro.-
- Sim senhora.-
A menina passava pelas contas de luz da década passada, as cartas velhas de amigas que a velha provavelmente não mais vira e fotografias em preto e branco de pessoas cujo o rosto ela não conhecia.
- Quem é esse homem de terno?-
- É meu irmão.-
- E essa mulher?-
- É a serpente da minha cunhada.-
- Ah...-
A senhora já ofegante revirava mais caixas, mais sacolas e mais pastas e nada de achar o que queriam.
- Isso é tudo culpa da empregada, que enfia as minhas coisas aonde ela bem entende, e agora não encontro mais nada. Daqui uns dias, não encontrarei mais nem as minhas roupas de baixo.- a menina acaba sorrindo timidamente e a senhora ao ver, sorri e disfarça.
As duas passam quase uma hora entre aquelas coisas velhas que a muito tempo devem ter permanecidas lacradas e hoje exalam o seu cheiro de museu, até que então encontram o que a menina precisava dentro de uma das gavetas, de um armário velho que a senhora não se lembrava aonde estava a chave, e mais uma vez, era tudo culpa da empregada.
Poderia ter sido mais uma tarde de chuva com gotas barulhentas, poderia ter sido só mais uma reação alérgica, poderia ter sido só mais um trabalho da escola, mas não, porque naquele dia ela estava com uma pessoa que tinha vivido anos e nunca se cansado, que tinha caído e sofrido inúmeras vezes, mas nunca foi derrotada, que sofreu perdas, que ganhou coisas, que teve decepções e que se machucou, mas era uma pessoa que mesmo assim, permanecia ali com os fios do cabelo branco, a pele enrugada, de pé, governando a casa, com todas as suas marcas, com todo o seu jeito, ajudando a bisneta, gastando da vida o tempo que lhe restava para ser guardada eternamente na memória no dia em que ela aqui não mais estiver.
Beijos,
Marcella Leal
P.S- Nessa segunda feira, O Movimento É Tenso voltou, com Henrique Mine, Mari Rodrigues, Jacky Vargas, Ariel Augusto Ang e com dois novos integrantes, Alice Duarte e Lucas Matheus. Para os que liam antigamente e para os que estão dispostos a conhecer, visitem o site, espero do fundo do coração que gostem e deixem seu comentário para fazer sete crianças felizes. Agradeço desde já.
P.P.S- Quem pergunta o que quer no meu formspring, corre grande risco de receber uma resposta que não quer. Fui mal educada com um anônimo que criticou a melancolia dos meus textos, porque eu já deixei claro que o blog é meu e eu falo sobre tijolos se eu quiser, mas espero não ter ofendido ninguém aí...
- Mas, pra que é que quer isso menina?- ela perguntou já sem se lembrar o porquê.
- É trabalho da escola.- responde a menina, a voz é baixo, a senhora tem pouca audição e lá fora a forte chuva que bate nas telhas da casa e no vidro da janela enchem o ambiente com o barulho alto e a mais velha não escuta.
- O que é que você disse?-
- Que é para um trabalho de escola.-
- HEEEEIM?-
- UM TRABALHO DA ESCOLA!-
- Ah sim, agora entendi, você também, parece seu bisavô, fala para dentro. Mas, vem, me ajuda, pega essa sacola e vê se está aqui dentro.-
- Sim senhora.-
A menina passava pelas contas de luz da década passada, as cartas velhas de amigas que a velha provavelmente não mais vira e fotografias em preto e branco de pessoas cujo o rosto ela não conhecia.
- Quem é esse homem de terno?-
- É meu irmão.-
- E essa mulher?-
- É a serpente da minha cunhada.-
- Ah...-
A senhora já ofegante revirava mais caixas, mais sacolas e mais pastas e nada de achar o que queriam.
- Isso é tudo culpa da empregada, que enfia as minhas coisas aonde ela bem entende, e agora não encontro mais nada. Daqui uns dias, não encontrarei mais nem as minhas roupas de baixo.- a menina acaba sorrindo timidamente e a senhora ao ver, sorri e disfarça.
As duas passam quase uma hora entre aquelas coisas velhas que a muito tempo devem ter permanecidas lacradas e hoje exalam o seu cheiro de museu, até que então encontram o que a menina precisava dentro de uma das gavetas, de um armário velho que a senhora não se lembrava aonde estava a chave, e mais uma vez, era tudo culpa da empregada.
Poderia ter sido mais uma tarde de chuva com gotas barulhentas, poderia ter sido só mais uma reação alérgica, poderia ter sido só mais um trabalho da escola, mas não, porque naquele dia ela estava com uma pessoa que tinha vivido anos e nunca se cansado, que tinha caído e sofrido inúmeras vezes, mas nunca foi derrotada, que sofreu perdas, que ganhou coisas, que teve decepções e que se machucou, mas era uma pessoa que mesmo assim, permanecia ali com os fios do cabelo branco, a pele enrugada, de pé, governando a casa, com todas as suas marcas, com todo o seu jeito, ajudando a bisneta, gastando da vida o tempo que lhe restava para ser guardada eternamente na memória no dia em que ela aqui não mais estiver.
Beijos,
Marcella Leal
P.S- Nessa segunda feira, O Movimento É Tenso voltou, com Henrique Mine, Mari Rodrigues, Jacky Vargas, Ariel Augusto Ang e com dois novos integrantes, Alice Duarte e Lucas Matheus. Para os que liam antigamente e para os que estão dispostos a conhecer, visitem o site, espero do fundo do coração que gostem e deixem seu comentário para fazer sete crianças felizes. Agradeço desde já.
P.P.S- Quem pergunta o que quer no meu formspring, corre grande risco de receber uma resposta que não quer. Fui mal educada com um anônimo que criticou a melancolia dos meus textos, porque eu já deixei claro que o blog é meu e eu falo sobre tijolos se eu quiser, mas espero não ter ofendido ninguém aí...

8 comentários:
O texto ficou muito fofo, às vezes eu converso sobre essas coisas com a minha vó, sobre como as coisas eram quando ela era mais nova...
Eu não sei exatamente porque, mas é até legal, sabe? Ela fica contando suas história e eu imagino tudo em preto-e-branco, porque minha vó pode até me irritar às vezes, pode até ser que ela nem sabia, mas eu a amo.
Não que eu fique dizendo isso a ela o tempo todo, porque geralmente ela está me mandando fazer algo e se eu não fizer na hora... ela é muito apressada, ou pontual, bem, é uma pessoa meio difícil, mas no fim das contas ela é legal, apesar, bem , já chega! Não sei descrver bem minha vó. umpf!
E, bem, tem um meme' para você lá no meu blog. Eu só fui descobrir hoje o que era isso, nem sabia que existia...
Mas é interessante...
Bem, beijo, Ju
(:
O texto ficoou muuuito lindjoo !
Sõo gamada nos seeus textos !! *o*
Beijõooos :*
P.S - Jáa faiz móo tempão que não comento, maas leio smp e smp
é sempre bom momentos com os mais velhos :D
ah, e obrigada pelo comentario la no meu blog :D
O post lembrou meus velhinhos, é impagável o tempo que passo com eles *-*
O Movimento é mega hilário com vcs *-*
E forms, é sempre assim, UAHSUAS
Beijos :*
eu acho muito interessante a pessoa criticar um blog, porém querer se manter no anonimato, este é o problema da internet, é cmo vc mesma disse o blog é seu comenta quem quiser e vc escreve sobre oq ue quer,s enão não tinha pq ter o blog
É isso ai Marcella o Blog é seu e vc escreve o q quer se essa pessoa esta criticando é sinal de q ela lê os seus textos o seu trabalho é otimo e vc esta de parabéns!
Primeiro, seu texto. ma graça, uma delicadeza, um mimo, por assim dizer. Me fez lembrar minha avó e suas lembranças, suas caixas, suas coisas... é tão nostálgico estar com alguém 'antigo', não é? Acho um presente.
E segundo, quanto ao comentário que fizeram em seu formspring... cada um escreve o que quer. A melancolia, a tristeza, a felicidade, ou a revolta são suas. E adivinhe: o blog também. Quam não quiser, não leia. Sem querer ser desagradável, rs.
Um beijo, flor!
Ficou fofo, só não entendi o que estavam realmente procurando na sacola. (-q)
Pessoas idosas sempre me fazem pensar no futuro, rs. Gostaria de ter conhecido alguma das minhas avós ou avôs... :/
E eu adoro os seus posts, acho melancolicos no ponto certo e mesmo que acabe ultrapassando de vez em quando... a vida não é feita só de rosas, como vc disse: o blog é seu, você posta o que quiser e quem não está feliz com o que você escreve, simplesmente não leia! u_ù
;*
http://caixinha-de-tudo.blogspot.com
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