domingo, 19 de setembro de 2010

Ingredientes

Pique bem os nossos sonhos irrealizados em cubinhos bem cortados, salpique por cima as suas mentiras, sua inveja tola e seus ciúmes infantis. Misture tudo em uma panela quente cheia do caldo das histórias que contamos com gosto doce das tardes que passamos juntos e o amargo das maldades que fizemos, mecha até engrossar e tornar-se tão forte como sempre foi esse nosso sentimento.

Prepare uma massa de aborrecimentos, da saudade que sentimos e da ausência com o qual nos presenteamos, amasse ela com muita força para por para fora toda a raiva que você sentiu por não estar ali também. Depois de pronta, coloque o caldo grosso entre a massa e jogue por cima raspas da nossa melhor amizade, leve ao forno e deixe assar até brotar na boca queimada pelo gosto ácido dessa mistura a vontade de se desculpar.

Não, eu não vou te ligar para me explicar e nem para cobrar as suas explicações, você sempre soube aonde me encontrar, em que horário que podia te atender, sempre que você precisou, eu estive ali calmamente com o celular nas mãos para ouvir você falar e chorar do outro lado da linha. Sei que esse não é o jeito ideal, mas os caminhos dessa vida errante e vazia nos levaram até aqui e vamos ter que nos conformar. Também sinto muitas vezes a falta do seu abraço e do seu ombro macio onde chorei tantas vezes por amores não correspondidos, por amizades falhas e por sapos engolidos.

Entendo as suas causas, os porquês do que falou, entendo também que você nunca lerá essas minhas palavras, que estou agora escrevendo para um propósito que não vou alcançar. Nunca imaginei que você quisesse nada além que o meu bem, sei que você sabe também que eu posso saber quando está mentindo ou não, eu escrevi cartas que nunca mandei, eu quis ouvir de você o porquê.

Aprendi que o para sempre é um tempo inexistente e que sobre o amanhã não há nenhuma certeza, eu já cansei de perceber que nessa vida ninguém foi feito pra se confiar, mas para você eu dei a minha certeza, minha confirmação e agora tudo dói e machuca, como se estivessem em sacos de plástico todos os nossos anos de história para o caminhão da rua recolher. Sei que bem no fundo, eu sempre te amei e sei que para sempre eu vou te amar, se o que disse foi verdade então um dia eu vou ter que te suplicar que me perdoe por tudo que estou dizendo agora, sei que isso é improvável, mas sei que o tempo vai te fazer entender tudo o que eu estou fazendo. Peço desde já, o perdão por essas letras que te ferem.

- Marcella Leal

P.S- Não, nada poético desse jeito ai mesmo.
P.P.S- Inspiração para os dois primeiros paragrafos do texto foi na musica Anjos do Legião Urbana, que não tem um video que preste no Youtube.

12 comentários:

Ana Paula disse...

A receita não parece apetitosa, rs...

Acho que você devia pegar todas as cartas que você escreveu e não enviou e entregá-las a quem você direcionou. .-.

Venho acompanhando suas postagens e espero que esse texto não seja inspirado na mesma pessoa que lhe inspirou escrever o "virgula" :/

;*

Thiago disse...

Legião Urbana é o que há. Obrigada, Senhor, por ainda existirem pessoas que escutam! rs

Eu sei que não tem nada que ninguém diga agora que possa fazer machucar menos... Então não vou dizer nada. Mas se precisar de algo, só grite.
Fique bem, certo?

wellen disse...

Parece ter odiio e rancor e dor aii
totalmente oq eu amo ler!! por incrivel q pareça!!
adoro seus posts!!

Rafa Sady disse...

Realmente não sei o que dizer.
Só espero que passe logo, e qualquer coisa estou no msn a disposição.
Beijos :*

Amanda disse...

o "para sempre" realmente não existe, senão não teríamos um estimulo para recomeçar !

Sabrina disse...

Nossa.È dificil, espero que tudo isso, sendo o que for acabe bem, e acho que deveria entregar as tais cartas.
Texto muuito bom.Amei. Beijos :*

Curiosa disse...

E, sim, isso é um pé no saco. Odeio perder amizades e acho que estou perdendo uma agora. Não sei o que aconteceu entre você e sua amiga, mas a minha sinceramente não sente a minha falta. Nós nos vemos na escola todos os dias, ela tem outras amigas e por mim tudo bem ela falar com todas, só que ultimamente ela fala com todas, mas se esquece de mim. Fala bom-dia e tudo o mais, mas.. sinto falat daquela coisa antiga que tinhamos, puxa nos consideramos irmãs! Nem sei mais se estou conjugando o verbo no tempo correto. E, bem, você deve saber que "perder" alguém é muito chato. Fica aquele gosto ruim que nem sabemos descrever direito. Você confiou naquela pessoa, vocês riram, trocaram segredos, choraram uma no ombro da outra. E agora, cadê? Vocês se veem e mal se falam. O que aconteceu?
Bem, Lela, esse comentário é mais um desabafo do que os meus costumeiros conselhos, mas eu sei que não quero perdê-la, só não aguento mais me sentir uma sombra, uma cadelinha, um brinquedo de infãncia esquecido na estante.
Bem, obrigada por ler... Acho que é isso. Se cuida, beijo, Ju
B

Ana Paula Vieira disse...

amei seu texto flore!
está todo cheio de sentimento, mesmo q seja um sentimento q com certeza vc nao quer sentir.
Essa história é complicada, mas só vc pode fazer o final dela ser diferente

beijoss

Anônimo disse...

Escrever cartas e nao mandar é tipo uma terapia, voce coloca ali toda a sua raiva, tudo o que tem pra dizer e da pra se sentir ate mais leve... oaspaks'
E como o T. escreveu: "Legião Urbana é o que há. Obrigada, Senhor, por ainda existirem pessoas que escutam! rs"
Beijos

Henrique Miné disse...

eu vim seco falar que lembra a música, aí li o PS ali, hehe :B

O texto foi bom, muuito bom x)

Beeeeijos.

Anônimo disse...

Eu gosto muito de você, mas tem horas que eu fico confuso porque percebo que adoro ler os textos que escreve quando está triste ou brava.

São nestas horas que afloram suas frases mais vigorosas, que me acabam me trazendo lembranças muito vivas de um passado que as vezes esqueço.

Mesmo parecendo uma última homenagem a uma amigo(a) que te decepcionou, conseguiu um lindo texto sobre o lado bonito da amizade.

Entregue-se a vida e continue a viver plenamente. Estarei sempre te acompanhando e observado.

Every breath you take...

Ana Caroline disse...

Legião é inspirador, sempre *-*

Sabe, essa receita me lembra indigestão, indigestão de verdades que vivemos diariamente, ou mentiras se preferir..

Beijos :*