domingo, 22 de maio de 2011

Verdades

      Confesso que há os dias, e poucos são eles, que entre nossas fotos velhas e memórias, eu me pergunto se alguma parte daquele teatro mal encenado foi verdadeira, se houve sentimento em algum lugar e se era possível acreditar em algo do que você disse, por menor que algo tenha sido. As respostas sempre me doem, acertam minha face como tapas e volto a realidade, onde você é vilã e eu sou mocinha – ou talvez seja ao contrário, mas quem se importa com a posição que você ocupa depois de tudo o que você fez e falou?
      Revejo as tardes nos restaurantes, nossas conversas loucas e sem nexo, nosso olhar vago e as risadas altas, as imaginações e o aspecto meio bêbado que falar besteira em excesso nos dava, éramos felizes, éramos três meninas felizes irradiando felicidade por onde passávamos, éramos farsa maior do que filme norte americano direto dos estúdios de Hollywood. Revejo aqueles dias que vão morrer entre os cadeados do meu diário, das coisas erradas que eu fiz e das que com certeza não me arrependo de ter feito. Revejo conversas sinceras, confissões em voz baixa e lágrimas que desciam pelos meus olhos – duas vezes – e vejo que eu nunca deveria ter me aberto, nunca deveria ter deixado você saber sobre mim.
      Sou um por cento saudade dessa época, oitenta por cento pena de você por ter criado mal seu personagem e deixado tudo que era verdadeiro escapar por entre suas mãos e nas entrelinhas de tudo o que você falou, sou dezenove por cento de dúvidas sobre se existiu verdade, se os aplausos e a força naquela apresentação, os conselhos e as risadas valeram alguma coisa.
     Éramos três e não sei se fomos mesmo, sei que agora somos 
duas e você é uma que eu provavelmente nunca vou saber
 perdoar direito.

E não era sobre isso que eu queria falar, mas não sei se já 

é hora certa de falar do outro assunto, 
não sei como eu estou, 
não sei de nada na verdade, 
só sei que dói não saber. 
Comento nos blogs de vocês em breve.

                         
- Marcella Leal


PS.blogger com problemas hoje

Um comentário:

rafaela ivo, disse...

Desculpem, não sou tão fácil assim de perdoar. Então, eu entendo sua posição. Muitas vezes eu olho pro meu passado perguntando o que foi verdade e o que foi mentira, e me encho de dúvidas. Achei melhor deixar o passado pertencer ao passado e esquecer isso. Te indico a fazer o mesmo. Beijão, Marcella!