sábado, 3 de setembro de 2011

Relato alterado


"Eu fui lá, não sei direito porque ou o que me motivou, mas fui. Tinha uma semana que nós tínhamos nos separado e eu bati na porta da casa que foi minha por tantos anos, onde eu criei quatro filhos e pedi licença pra entrar. Queria saber se ele estava bem, se tinha lembrado de tomar o remédio da pressão e se estavam indo comprar os pães branquinhos na padaria pra ele na hora em que saíam, precisava dar uma olhada nos cachorros e saber se o rapaz tinha ido limpar a piscina. Doía tanto não ter mais nenhuma daquelas funções e ser uma convidada na minha própria casa, uma intrusa na vida do homem com quem vivi por tanto tempo e ser desnecessária agora, doeu, doeu mais do que eu imaginei que poderia doer. Ele abriu a porta assustado e depois da minha rápida olhada pela casa que em tão pouco tempo – e com outra mulher no comando- havia se tornado uma desordem com cheio de luxúria e fumaça de cigarro, era como se eu estivesse em um quarto de motel velho. Depois das minhas perguntas, ele disse que não precisava mais de mim e dos meus cuidados, que havia arranjado quem fizesse isso e outras coisas para ele e que dispensava completamente qualquer forma de preocupação que eu pudesse ter, ele pediu com todas as letras que eu colocasse os dois pés para fora da vida dele e nunca mais pisasse naquela casa. Enquanto eu ia embora, dei uma rápida olhada no jardim e quase entrei na casa de novo para lembrar à “outra” de que as orquídeas precisavam ser regadas, vi também que haviam correspondências na caixa de correio e que a garagem estava suja de óleo, era ruim me desprender. Eu quis morrer e inclusive tentei dar fim a minha vida na esperança de que se eu morresse, ele pudesse perceber quem foi que ele sempre amou e tivesse tanto remorso a ponto de nunca mais tocar no fio de cabelo de outra mulher. Depois de algumas consultas com o psicólogo, anti depressivos e de voltar a me comportar como uma garotinha boba de dezesseis anos de idade que chora porque o namoradinho deixou ela, eu tomei vergonha na minha cara e vi que tinha muitos motivos além do meu casamento para os quais viver. Afinal, tinha durado, o tempo que era certo durar e o que eu fazia de melhor na vida agora era levar ela adiante, porque nada durava pra sempre, nem amor, felicidade, tristeza ou qualquer coisa, eu só precisava encontrar algo novo para cultivar sempre que algo velho morresse e estou viva até hoje só por causa disso."

Baseado em fatos reais.

-Marcella Leal

4 comentários:

Amanda disse...

Adorei o conto, Marcella!
Adoro escrever contos mas ultimamente não tô escrevendo muito '-'

Passa lá no meu blog!

Bird disse...

fatos reais? ela o deixou ou o contrário?

Anônimo disse...

VejaBlog
Seleção dos Melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br

Parabéns pelo seu Blog!!!
- Cabelo Cor de Rosa -

Você continua fazendo parte da maior e melhor
seleção de Blogs/Sites do País!!!
- Só Sites e Blogs Premiados -
Selecionado pela nossa equipe, você está entre
os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!

O seu link encontra-se no item: Blog

http://www.vejablog.com.br/blog

- Os links encontram-se rigorosamente
em ordem alfabética -

Pegue nosso selo em:
http://www.vejablog.com.br/selo

Um forte abraço,
Dário Dutra

http://www.vejablog.com.br
....................................................................

Cristina Serrado disse...

Adorei essa história!