quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quatro anos


     Sabe, você me disse que nossa amizade ia durar para sempre e eu acreditei, porque é o que faço sempre quando me prometem algo, tenho mesmo essa mania de achar que todo mundo é sincero e nunca amadureci o bastante pra entender que as pessoas mentem, enganam e se arrependem, pode ser que seja meu maior erro.
       E nossa amizade durou, o curto para sempre de quatro anos e muitas alegrias, quatro anos e você chorando abraçada com as minhas pernas no meio do pátio da escola porque seu namorado tinha sido grosso com você, quatro anos de despedidas em novembro, discussões a portas fechadas na escola, jogos internos, clubes, tarefas em duplas, lições de moral e quatro anos que marcaram muito. Marcaram pelas promessas na noite de lua cheia escutando Brittney Spears e por aquela blusa daquele rapaz que a gente rasgou e enterrou nos fundos da quadra do colégio, quatro anos e nossa decepção em não ter passado pro ensino médio do Instituto Federal, quatro anos e a gente dançando Rihanna na chuva no meu aniversário, quatro anos e sua festa de quinze anos e deitar no chão da sala de aula, passar o recreio sozinhas, inventar mentiras, fazer maldades, amadurecer, dizer alguns palavrões e outras palavras bonitas, quatro anos de suco de maracujá em dia de mostra cultural, banhos de piscina nas sextas e votações de “Menina mais bonita da sala” (que uma ou duas, ou cinco vezes a gente sabotou), quatro anos e os grupinhos que a gente montava, os quartetos, quintetos, que não admitiam que ninguém entrasse... E as letras de música? Nossas bandas, você lembra que a gente teve duas bandas e nenhuma de nós tocava nada? E desses grupos todos, eu perdi muita gente, mas quem mais doeu perder foi você, porque era você que tava comigo nas revoltas contra a professora de flauta, na aula que a gente perdeu na biblioteca porque você tava com cólica e usando minhas meias para aquecer os pés e eu tava descalço com o All Star nas mãos, foi com você que eu comi Bolacha Passatempo sem recheio, encenei todos os teatrinhos e fomos nossas primeiras vezes sozinhas para o shopping juntas, levando bronca da moça do alto-falante da Tok Stok porque estávamos tirando foto, colamos na prova de história juntas, foi com você que eu passei tanto tempo e vivi tanta coisa que eu não entendo porque acabou assim... com a gente sem se falar a quatro meses com telefone e mil redes sociais aí, com a gente sem se ver sendo que você estuda a cinco minutos da minha casa e minha dentista é a duas ruas da sua casa, dói pra caramba saber que o que a gente jurou que nunca ia acabar, apesar da distância e do tempo, acabou ali, na frente dos nossos olhos e todo mundo viu acabar, mas nem você e nem eu fomos tentar impedir.
      Gosto de você, do mesmo jeito que gostava quando a gente tava no sofá da sua casa bebendo suco e comendo pão com feijão tropeiro aos 12 anos de idade e do mesmo jeito que gostava aos 14 anos no chão do meu quarto morrendo de preocupação do teu lado esperando um resultado que não saía nunca, te gosto igual sempre gostei amiga, te procurei em vão nesse tempo que eu senti tudo acabar e você não respondeu e sabe, eu fingi que não, mas eu sofri, pra caralho, aconteceram um milhão de coisas na minha vida e eu senti vontade de te ter do meu lado.
       Se qualquer dia você sentir tanta saudade e falta como eu senti, o número, o endereço e as contas do Facebook, MSN, Blog, Tumblr e até Orkut, sempre foram as mesmas e a porta da frente vai ta sempre aberta, é só me ligar quando chegar porque você sabe, a mais de quatro anos, a campainha não funciona.

                                           - Marcella Leal
                                      Um pouco de emoção de mais nesse texto

7 comentários:

Sabrina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sabrina disse...

Amei o texto, isso as vezes infelizmente acontece, aconteceu comigo milhares de vezes, e até hoje essas pessoas fazem muita, muita falta. Lindo !

Anônimo disse...

"foi com você que eu passei tanto tempo e vivi tanta coisa que eu não entendo porque acabou assim..."

Parece que esse texto resumiu as minhas 2 últimas semanas de vida. Ninguém imagina isso acontecer, mas quando percebe, você já não conversa com a pessoa há 1 mês e não tem nenhum motivo muito claro pra isso. Triste, mas é a mais pura verdade :/

Lorena de Oliveira :]

Jerri Dias disse...

Sinto muito que isso tenha acontecido contigo. Não sei os motivos ou se relamente existiu algum, mas é fato que entre a adolescência e a vida adulta a maioria das amizades, quando não todas, acabam.

Anônimo disse...

Ocorreu o mesmo comigo.
Eramos um trio, em uma de nós do grupinho passou no Cefet( eramos do mesmo cursinho), não dormimos um dia antes da prova apenas conversando, fizemos juntas e conferimos o gabarito.

Hoje estamos em escolas diferentes,e estarmos nas redes sociais, raramente falamos, mas não sei o que justifica, agora o que restou foram mémorias, fotografias e saudade.

Quando descobrir a responta faz um comentário.

Acho que foram ambos os lados responsaveis pelo que ocorreu.Mas foi eterno enquanto durou.

Luisa

Desirée disse...

as vzs acontece, mas se as duas pessoas querem, elas dão um jeito.
se vc procurou e a outra pessoa não, talvez isso seja o certo. por mais que doa acreditar.

Pamela Moreno Santiago disse...

Boa tarde.
Desculpa o incomodo, mas venho hoje pedir que olhe com carinho meu blog de resenhas literárias, o O Leitor.
Se puder fazer parte, agradecemos.

Obrigada e uma ótima segunda-feira. Beijos,

Pamela.