Pensaram, teorizaram, falaram e falaram e falaram um
pouquinho mais, mas no fundo, nada disseram.
Nada que terminasse com o sofrimento no
peito de Jorge, com as lágrimas nos olhos de Carolina, nada que amenizasse o nó
na garganta que Roberta sentia. Ninguém nunca conseguiu cessar as dores e
instaurar a felicidade, apesar de todos os versos, das frases feitas e
conselhos de avós, que hoje se tornaram mais um grande clichê do que parte da
sabedoria popular: “Conta até dez.”, “Viva um dia de cada vez.”, “Pense
positivo.”, “Se não deu certo agora, é porque não era pra dar.”, “A vida dá
voltas”. Grandes, enormes, irrefutáveis clichês populares e conselhos de
biscoitinho da sorte de restaurante chinês fajuto.
A
verdade é que nenhuma dessas coisas ajuda quando o coração não responde, quando
o cérebro entende que na verdade amanhã você vai acordar e enfrentar mais um
dia longo, cansativo e que no fundo, vai trazer mais problemas do que lucros.
A felicidade não é palpável, não
desperta nenhum órgão de sentido e poucos conseguirão descrevê-la, apesar das
revistas de fofoca continuarem a fazer essa pergunta ás “pessoas notáveis” (pelo
quê mesmo?), ninguém nunca compreenderá de fato o que é estar feliz. Alguns dirão
que encontram tal estado quando estão entre amigos, em uma tarde de cinema com
o namorado, um passeio no parque, um dia inteiro de compras, um abraço ou
qualquer coisa do mundo, mas quantos, já não estiveram nessas situações,
sentindo-se os mais miseráveis e pobres-coitados que Deus ou o Big Bang já
criou?
Entre sentar e chorar – o que é altamente
recomendado -, enfrentar os problemas de nariz em pé ou se apegar aos ditos
populares como se fossem conselhos dos maias para o melhor funcionamento e não –extinção
do planeta terra em 2012, a
terceira e mais lastimável das opções é a mais escolhida. Têm também aquela
história do chazinho de camomila, a água com açúcar, uma barrinha de chocolate
no fim do dia e para casos extremos, altas doses de substâncias alcoólicas na
corrente sanguínea.
Mas, felizmente haverão dias em que Jorge , Carolina e Roberta estarão por cima e outros em que na
cabeça deles, estariam melhores caso estivessem seis metros abaixo da terra.
É. O
restaurante chinês realmente estava certo: A vida é uma caixinha de surpresas.
E eu que critiquei os grandes pensadores, muito falei e nada disse.
- Marcella
Leal


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